Imperialismo norte-americano,<br>uma questão de estilo
O imperialismo norte-americano manobra, procurando adaptar-se a uma situação crescentemente desfavorável que não previu.
Os EUA precisam de fazer de fraquezas força e mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma
Como sempre, a realização de eleições é um bom momento para mudanças de agulha que o establishment considere necessárias. Trate-se de engolir colossais desaires como na Coréia ou no Vietnam ou de tirar partido das derrotas do socialismo para se lançar na contra ofensiva global que vivemos desde finais da década de oitenta. Ofensiva que entretanto, apesar das regressões de civilização verificadas e das guerras de rapina desencadeadas, não logrou alcançar os resultados esperados pelos seus promotores. A tentativa dos EUA de instaurar a «nova ordem» mundial proclamada por Bush pai está a desacreditar a imagem dos EUA/Bush filho. É então necessário «mudar».
Se dúvidas ainda houvesse sobre o papel que a classe dominante norte-americana reserva ao próximo hóspede da Casa Branca, seja ele qual for, o recente périplo internacional de Barack Obama, recebido como proto-Presidente dos EUA, daria uma boa contribuição para as desfazer. Na enorme mediatização da digressão do candidato «democrático» pelo Médio Oriente/Ásia Central e pela Europa, praticamente não se falou nem das crescentes dificuldades com que se defronta a ofensiva agressiva do imperialismo norte americano, nem da crise económica e financeira que grassa no mundo capitalista e que afecta particularmente os EUA. Mas de facto foram estas as grandes questões que constituíram o pano de fundo da digressão e das movimentações e inflexões tácticas que estão em curso em Washington e que aproveitam as eleições presidenciais para se institucionalizar.
Bush é uma carta gasta. Os «neoconservadores» mais provocadores e trauliteiros já viveram melhores dias, o que não quer dizer que tenham encolhido as garras. A hegemonia da superpotência no próprio campo imperialista está debilitada, o que aconselha uma abordagem mais flexível e menos sobranceira das relações com os «aliados». As consequências políticas e ideológicas do fracasso do neolibelalismo e do aprofundamento da crise do capitalismo não se compadecem com imobilismos.
Uma operação de cosmética
Mas atenção! Não vemos no horizonte nenhuma indicação de que a classe dirigente e o complexo militar norte-americano tenham desistido dos seus intentos de domínio planetário nem do recurso aos métodos fascizantes do terrorismo de Estado. Pelo contrário, todos os dias há notícia de novas linhas de ataque aos direitos dos trabalhadores, à soberania dos povos, a liberdades e garantias democráticas. Do que porventura se trata é de uma maior contenção de impulsos «unilateralistas» que, no caso da guerra do Iraque, abalou a aliança entre os EUA e as grandes potências da UE. Para realizar os seus objectivos, os EUA concluíram que têm de envolver mais e em maior profundidade aqueles com quem partilham os «mesmos valores e interesses», gerir com menos arrogância as contradições e a partilha de esferas de influência no processo de recolonização planetária.
Como noutros momentos da sua história recente, os EUA precisam de fazer de fraquezas força e mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. É isso que está subjacente às eleições presidenciais e é essa operação de cosmética quanto ao fundo que faz correr Barack Obama. Nessa operação é uma prioridade contrariar o «anti-americanismo» que cresce por toda a parte, nomeadamente na Europa. O «atlantismo», a aliança do «mundo livre ocidental» que a NATO representa e que passa pelo estreitamento das relações EUA/UE, continua a ser imprescindível à realização dos propósitos hegemónicos do imperialismo norte americano, como aliás dos propósitos dos imperialistas europeus que se amparam mutuamente.
Por isso o Obama da «mudança» foi tão bem vindo como hóspede de honra de Merkel, de Sarkozy, de Gordon Brown. Uma operação de propaganda bem montada – «A Europa sob o encanto de Barack Obama» titulava «Le Monde» – procurou simultaneamente lavar a cara dos EUA e branquear a sua política militarista e agressiva, partilhada sem equívoco pela Alemanha, a França, a Grã-Bretanha e outras potências da União Europeia. Trata-se de um acontecimento nada banal que não pode passar sem registo, tanto mais quanto o discurso de Obama em Berlim, junto da «Coluna da vitória» que celebra vitórias dos exércitos prussianos, é um discurso que impressiona pelo seu explícito anticomunismo.
Se dúvidas ainda houvesse sobre o papel que a classe dominante norte-americana reserva ao próximo hóspede da Casa Branca, seja ele qual for, o recente périplo internacional de Barack Obama, recebido como proto-Presidente dos EUA, daria uma boa contribuição para as desfazer. Na enorme mediatização da digressão do candidato «democrático» pelo Médio Oriente/Ásia Central e pela Europa, praticamente não se falou nem das crescentes dificuldades com que se defronta a ofensiva agressiva do imperialismo norte americano, nem da crise económica e financeira que grassa no mundo capitalista e que afecta particularmente os EUA. Mas de facto foram estas as grandes questões que constituíram o pano de fundo da digressão e das movimentações e inflexões tácticas que estão em curso em Washington e que aproveitam as eleições presidenciais para se institucionalizar.
Bush é uma carta gasta. Os «neoconservadores» mais provocadores e trauliteiros já viveram melhores dias, o que não quer dizer que tenham encolhido as garras. A hegemonia da superpotência no próprio campo imperialista está debilitada, o que aconselha uma abordagem mais flexível e menos sobranceira das relações com os «aliados». As consequências políticas e ideológicas do fracasso do neolibelalismo e do aprofundamento da crise do capitalismo não se compadecem com imobilismos.
Uma operação de cosmética
Mas atenção! Não vemos no horizonte nenhuma indicação de que a classe dirigente e o complexo militar norte-americano tenham desistido dos seus intentos de domínio planetário nem do recurso aos métodos fascizantes do terrorismo de Estado. Pelo contrário, todos os dias há notícia de novas linhas de ataque aos direitos dos trabalhadores, à soberania dos povos, a liberdades e garantias democráticas. Do que porventura se trata é de uma maior contenção de impulsos «unilateralistas» que, no caso da guerra do Iraque, abalou a aliança entre os EUA e as grandes potências da UE. Para realizar os seus objectivos, os EUA concluíram que têm de envolver mais e em maior profundidade aqueles com quem partilham os «mesmos valores e interesses», gerir com menos arrogância as contradições e a partilha de esferas de influência no processo de recolonização planetária.
Como noutros momentos da sua história recente, os EUA precisam de fazer de fraquezas força e mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. É isso que está subjacente às eleições presidenciais e é essa operação de cosmética quanto ao fundo que faz correr Barack Obama. Nessa operação é uma prioridade contrariar o «anti-americanismo» que cresce por toda a parte, nomeadamente na Europa. O «atlantismo», a aliança do «mundo livre ocidental» que a NATO representa e que passa pelo estreitamento das relações EUA/UE, continua a ser imprescindível à realização dos propósitos hegemónicos do imperialismo norte americano, como aliás dos propósitos dos imperialistas europeus que se amparam mutuamente.
Por isso o Obama da «mudança» foi tão bem vindo como hóspede de honra de Merkel, de Sarkozy, de Gordon Brown. Uma operação de propaganda bem montada – «A Europa sob o encanto de Barack Obama» titulava «Le Monde» – procurou simultaneamente lavar a cara dos EUA e branquear a sua política militarista e agressiva, partilhada sem equívoco pela Alemanha, a França, a Grã-Bretanha e outras potências da União Europeia. Trata-se de um acontecimento nada banal que não pode passar sem registo, tanto mais quanto o discurso de Obama em Berlim, junto da «Coluna da vitória» que celebra vitórias dos exércitos prussianos, é um discurso que impressiona pelo seu explícito anticomunismo.